Fotografando o que não se vê

RESUMO

Existem na natureza muitos fenômenos que não podem ser acompanhados pela nossa visão devido à rapidez com que acontecem. Como exemplos, podemos citar: uma bexiga estourando, uma lâmpada quebrando, uma bola se deformando ao ser golpeada, o impacto de um projétil em um alvo qualquer, etc..
Este trabalho descreve uma técnica muito simples para "congelar" movimentos impossíveis de se ver a olho nu. Com ela registraremos, em filme fotográfico, instantâneos dos mais diversos fenômenos. A imaginação de leitor será o limite para a ampla gama de experiências que poderão ser feitas com a técnica aqui apresentada.

MATERIAL E PROCEDIMENTOS

Quando tiramos uma foto permitimos que a luz proveniente do objeto que se encontra na frente da máquina incida sobre o filme fotográfico. Para isso ao apertarmos o botão de disparo (chamado tecnicamente de obturador) abrimos e fechamos rapidamente uma janela (conhecida por diafragma) por onde entra a luz que atingirá o filme.
Em algumas máquinas o controle do tempo de exposição do filme à luz externa é ajustável. Números como 125, 60, 30, etc., indicam o tempo de abertura do diafragma. Por exemplo: o número 125 corresponde a um tempo de abertura de 1/125 segundos. Normalmente essas máquinas possuem também uma posição do ajuste do tempo chamada "B". Colocando-se o ajuste de tempo nesta posição, podemos manter o diafragma da máquina aberto durante o tempo em que mantivermos o obturador pressionado.
Este recurso permite que utilizemos uma técnica simples para fotografar eventos muito rápidos que estejam associados a sons intensos (ex.: o estouro de uma bexiga, o disparo de uma arma, etc.). Em uma sala escura colocamos o evento a ser fotografado de frente para a câmera. Pressionamos o obturador da máquina, expondo o filme que não será sensibilizado se a sala estiver realmente escura. Ao estourarmos uma bexiga, por exemplo, o som do estouro será captado por um microfone que por sua vez acionará o flash. A luz do flash iluminará o evento que será registrado no filme. Então basta soltarmos o obturador da máquina e a foto da bexiga estourando está feita.
Para que o som do evento acione o flash ligamos o microfone em um amplificador. A saída do amplificador ao invés de ser ligada em uma caixa acústica deve ser ligada ao flash através de um dispositivo eletrônico conhecido como Tiristor (p.ex.:SCR106D) segundo o esquema abaixo.


O tiristor ao receber do amplificador um sinal elétrico suficientemente alto, curto-circuitará os terminais do flash disparando-o.

Dicas úteis
Dê preferência a filmes de alta sensibilidade (ex.: ASA 400).
A utilização de um flash com sensor de luz embutido diminuirá a duração do flash, proporcionando fotos mais nítidas.
Procure tirar fotos de perto e utilizar um fundo escuro para evitar reflexos da luz do flash.

Balão de borracha (bexiga): (Clique em cima das fotos para ampliá-las)

Bomba:
Da mesma forma, o equipamento utilizado permite registrar o instante em que uma bomba de São João estoura.

Bola:
A deformação de uma bola após ser arremessada e/ou impulsionada por um pontapé contra um anteparo pode ser registrada facilmente com o esquema mostrado.

 

Tiros de uma espingarda de chumbo:
Penetrando em um aquário e acertando um giz.

BIBLIOGRAFIA

  • Física na Escola, Revista Brasileira de Ensino de Física. Fotografando o que não se vê, p. 8, v.3, n.1, 2002.
  • The Physics Teacher. High-Speed Flash Photography with Sound Triggers, páginas 12-19, janeiro, 1990.
  • The Physics Teacher. High-Speed Photography with Computer Control, páginas 356-367, setembro, 1991.
  • Winters, M. Loren. High-Speed Photography For Amateur Photographers.
 
Clube de Ciências Quark